A Hapvida encerrou 2025 com crescimento de receita e avanços relevantes em sua agenda de transformação operacional, ainda que o quarto trimestre tenha refletido pressões importantes em sinistralidade e dinâmica comercial, sobretudo em regiões mais competitivas como o Sudeste.
A companhia registrou receita líquida de R$ 30,9 bilhões no ano, alta de 6,6% em relação a 2024, e EBITDA ajustado de R$ 3,3 bilhões. No 4T25, a receita líquida somou R$ 7,9 bilhões, avanço de 5,9% sobre igual período do ano anterior, com EBITDA ajustado de R$ 713,8 milhões e margem de 9,0%. A alavancagem encerrou o período em 1,3 vez o EBITDA, em patamar considerado controlado.
O desempenho foi marcado por redução líquida na carteira de saúde, concentrada em praças mais competitivas, parcialmente compensada pelo crescimento consistente dos planos odontológicos, que atingiram 7,13 milhões de beneficiários, com adição de 23 mil vidas no trimestre.
O ticket médio dos planos de saúde alcançou R$ 301,40 por mês, alta de 6,6% na comparação anual. A sinistralidade caixa ficou em 75,5%, pressionada por maior frequência de utilização, defasagem da rede credenciada, ramp-up de unidades próprias e sazonalidade menos favorável.
A expansão da rede própria foi acelerada, com 832 unidades entre hospitais, prontos atendimentos, clínicas e estruturas de diagnóstico, além da adição de cerca de 900 leitos e 26 unidades ambulatoriais.
A companhia também reduziu em 42,6% o volume de Notificações de Intermediação Preliminar (NIPs) e apresentou evolução nos indicadores regulatórios da ANS, incluindo melhora relevante da NDI em São Paulo. O movimento reforça a prioridade de recalibrar portfólio, retenção e execução comercial sem abrir mão da disciplina de preço e da sustentabilidade de longo prazo.
Durante a divulgação dos resultados, Jorge Pinheiro, CEO da Hapvida, destacou avanços na qualidade assistencial e anunciou a transição de liderança para Luccas Adib, vice-presidente de Finanças e Tecnologia, que assumirá o comando da companhia. Pinheiro seguirá no conselho de administração.
Adib afirmou que a agenda de 2026 está centrada em previsibilidade assistencial, aumento de produtividade da rede própria, disciplina de capital e maior consistência comercial. “Não se trata de reinventar o modelo, mas de executar melhor, com organização mais ágil, cultura tecnológica e foco contínuo em eficiência e qualidade para sustentar o próximo ciclo de crescimento”, disse.
A Hapvida intensificou o uso de tecnologia e análise de dados na gestão assistencial, revisando protocolos, reforçando auditorias e ampliando o uso de inteligência analítica. O plano de retomada, segundo Adib, passa por melhorar a experiência do cliente, ganhar eficiência operacional e reforçar tecnologia e controles, sempre com austeridade de custos e decisões orientadas por dados. A companhia inicia 2026 com foco redobrado em execução, produtividade e experiência do cliente, buscando recuperar margens e proteger o caixa com disciplina.



