A pesquisa eleitoral com registro TRE: AM-03377/2026, divulgada pelo Instituto Veritá nesta quarta-feira (29), alterou nomes dos candidatos, trocou partidos e não divulgou números e nem a localização dos entrevistados. O estudo deve ser questionado na Justiça Eleitoral.
O ponto mais sensível está na diferença entre os nomes apresentados aos eleitores durante a coleta e aqueles que aparecem no relatório final. No questionário protocolado junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), constavam como opções nomes como David Almeida, Omar Aziz, Professora Maria do Carmo e Tadeu de Souza. No entanto, o relatório divulgado altera esse cenário: Tadeu desaparece completamente, enquanto o nome de Roberto Cidade — que não constava no questionário original — surge com percentuais de intenção de voto.
A inclusão de um candidato não previsto no instrumento registrado, ao lado da exclusão de outro que estava formalmente listado, levanta dúvidas sobre a fidelidade da coleta e sobre eventuais alterações posteriores nos dados.
Outro erro identificado está na identificação partidária da candidata Maria do Carmo. No questionário apresentado à Justiça Eleitoral, ela aparece vinculada ao partido Novo. Já no relatório final, é associada ao PL, o que configura inconsistência básica de informação. Além disso, o próprio questionário incluía dois candidatos do mesmo partido (David e Tadeu), o que pode influenciar a percepção do eleitor no momento da resposta.
A pesquisa também não apresenta um dos elementos considerados essenciais em levantamentos eleitorais no estado: o detalhamento geográfico da amostra. Diferente de outros institutos, o relatório não informa a distribuição por bairros de Manaus nem por municípios do interior, tampouco esclarece o peso proporcional entre capital e interior. A ausência desses dados impede a verificação da representatividade regional da pesquisa.
Outro fator que amplia as dúvidas é a metodologia utilizada. A coleta foi feita por meio de ligações automatizadas, com sistema de resposta por voz, sem a participação de entrevistadores. Esse modelo, conhecido como URA, é frequentemente criticado por gerar viés de seleção, já que tende a excluir parcelas da população com menor acesso a tecnologia ou menor disposição para responder chamadas automatizadas.
Os próprios dados da pesquisa indicam um cenário de baixa consolidação do eleitorado: apenas 18,3% dos entrevistados afirmaram ter um candidato definido. Esse índice reduz significativamente a base efetiva de análise e aumenta o risco de distorções nos percentuais apresentados.
Somados, os elementos identificados — divergência entre questionário e resultado, inclusão de candidato não previsto, erro de identificação partidária, ausência de detalhamento geográfico e limitações metodológicas — formam um conjunto de fragilidades que, na avaliação de especialistas, compromete a confiabilidade do levantamento.



