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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve o registro de candidatura à Presidência da República travado nesta quinta-feira (13), após o sistema da Justiça Eleitoral registrar uma filiação dele ao partido Missão.

A mudança ocorreu enquanto a equipe jurídica preparava os documentos para registrar a candidatura. O PL havia oficializado Flávio como candidato à Presidência durante a convenção nacional realizada em 25 de julho.

O episódio provocou versões diferentes entre a campanha do senador, o partido Missão e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Campanha suspeita de fraude

A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que a alteração foi “inequivocamente fraudulenta”. Segundo ela, a equipe identificou a mudança enquanto reunia os documentos necessários para o registro.

A defesa levantou hipóteses como invasão, uso indevido de senha ou acesso irregular às credenciais. Entretanto, a advogada afirmou que ainda não havia elementos para determinar como a alteração ocorreu.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também classificou o episódio como uma “falsificação”.

TSE nega ataque hacker

O TSE, porém, descartou a hipótese de um ataque hacker ao sistema de filiação partidária.

Segundo o tribunal, uma pessoa com acesso às credenciais do partido Missão utilizou a ferramenta de forma indevida para registrar a filiação de Flávio.

Diante do caso, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). Além disso, determinou que a Polícia Judiciária abra um inquérito.

A investigação deverá esclarecer quem utilizou as credenciais, como a filiação ocorreu e qual foi a motivação da alteração.

Missão também aponta fraude

O partido Missão apresentou outra versão. Em nota, a legenda afirmou que sofreu uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro.

Segundo o partido, o sistema identificou a movimentação e a legenda tentou cancelar a filiação no mesmo dia. No entanto, o TSE rejeitou o pedido.

O Missão também afirmou que informou o gabinete de Flávio sobre a tentativa de filiação desde 2 de agosto. De acordo com a legenda, os destinatários abriram os e-mails enviados, mas não responderam.

A sigla informou ainda que entregará às autoridades logs, e-mails e endereços de IP relacionados ao caso.

Registro depende de regularização

Enquanto a Justiça Eleitoral não resolver a situação, Flávio não consegue concluir o registro da candidatura pelo PL.

A advogada explicou que o senador precisa voltar a constar como filiado ao partido que lançou sua candidatura. O Missão, por outro lado, já possui candidato e afirmou que não pretende manter Flávio em seus quadros.

Por isso, o PL apresentou um pedido à Justiça Eleitoral para desfazer a filiação ao Missão. O TSE ainda analisa o requerimento.

O prazo para o registro das candidaturas termina às 19h de sábado (15). Assim, a campanha precisa resolver a situação antes do fim do prazo.

Flávio reage

Após o episódio, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais e afirmou que não conseguiriam impedir sua candidatura.

“O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não, porque Deus está no comando e a gente vai conseguir juntos resgatar o nosso Brasil”, declarou.

O PL oficializou Flávio como candidato à Presidência em julho. Agora, a Justiça Eleitoral investiga a origem da filiação ao Missão e analisa o pedido do partido para restabelecer o vínculo partidário do senador.

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