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A Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) realizará nesta quinta-feira (18), a reconstituição da morte do motorista Sérgio Fragoso Monteiro, 50, morto durante a Operação ‘Coalizão pelo Bem’, em junho de 2021, quando policiais do Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera) da Polícia Civil teriam invadido a casa onde ele morava, no bairro Vila da Prata, atrás do filho da vítima, mas foi morto na frente da família.

De acordo com a viúva de Sérgio, Marcilene Monteiro, essa reconstrução é a esperança da família para tentar de vez elucidar o caso e trazer um pouco do sentimento de Justiça para os familiares.

“Nós estamos muito felizes com essa notícia, porque sentimos que Justiça vai ser feita. Antes o Ministério Público disse que não seria necessário, mas nós fomos surpreendidos com este documento dizendo sobre a reconstituição, que será às 6h”, acrescentou.

Em junho do ano passado, foi realizada a audiência de instrução e julgamento do caso, onde os réus, policiais civis, prestaram seus depoimentos, assim como as testemunhas de defesa e acusação à juíza 3ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Ministro Henoch Reis. Ainda não há uma data para o julgamento.

“ACHÁVAMOS QUE ERA ASSALTO”

A viúva do motorista de ônibus é testemunha ocular do crime e revelou que os em um primeiro momento, quando o casal escutou o barulho do portão da garagem se arrombando e achavam que criminosos teriam invadido a residência e queriam roubar os seus pertences.

“Nós nos levantamos, acendemos a luz e fomos ver o que estava acontecendo. Ele foi na frente e disse que achava que era nosso filho. Quando ele abriu um pouco a porta e olhou pela brecha, ele já começou a ficar nervoso e se tremer, ao ver homens encapuzados. Quando ele tentou fechar a porta o tiro já veio e atingiu ele que caiu morto. Foi muito rápido”, lembra emocionada.

Ainda conforme o relato de Marcilene, logo após o ocorrido, ela correu para o seu quarto e se jogou no chão. Em seguida, a porta do quarto foi arrombada e em nenhum momento, os policiais teriam se identificado, tendo ela acreditado que se tratavam de assaltantes.

‘Foi quando eu li: Fera’

“Foi quando mandaram eu levantar e foi quando eu li ‘FERA’ e depois saber que se tratava da polícia. Com certeza o meu marido morreu sem saber o que estava acontecendo, sem poder se defender. Depois de três horas, já na delegacia, que mandaram eu assinar o documento de busca e apreensão, mas sem deixar eu ler, porque antes disso, não havia documento algum”, acrescentou.

Demora no socorro

Ainda conforme o relato da viúva de Sérgio, os policiais teriam entrado na casa por volta das 4h30min e após o marido ter sido baleado, os policiais do Grupo Fera teriam demorado cerca de 40 minutos a uma hora para levá-lo até o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto.  

“Eu sabia que ele já estava morto. Porque não tem como a pessoa sobreviver com um tiro de fuzil. Eles passavam por cima do corpo do meu marido e eu chorava. Eles falavam que meu marido ia ficar bem, mas sabia que ele estava morto. Foi depois de fazer um escândalo que colocaram ele em uma rede e levaram para o (HPS) 28 (de Agosto)”, finalizou.

Fonte: A Acrítica
Foto: Divulgação

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