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O fenômeno climático El Niño já começou, informou nesta quinta-feira (11) a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês). 
Há meses, órgãos de meteorologia do Brasil, dos EUA e da Europa já previam sua ocorrência. Ainda não há clareza sobre a potência, mas a NOAA avalia que o El Niño pode ganhar muita intensidade entre novembro e janeiro, podendo figurar entre os eventos mais fortes desde o início das medições, em 1950. 

No relatório mais recente, os cientistas apontam que, ao longo do último mês, já se consolidaram condições típicas do fenômeno, como o aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico. A probabilidade de um El Niño muito intenso nesse período é estimada em 63%, o que reforça o risco de um episódio histórico.

Ações

Nesta semana, o estado do Amazonas decretou situação de emergência climática e ambiental em todo o território, de forma preventiva, diante da ameaça do El Niño. A medida prevê riscos de intensificação da seca, das queimadas e das ondas de calor. O decreto tem validade de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. 

Os principais setores econômicos do Amazonas têm realizado reuniões para definir ações de redução dos impactos, como a antecipação de estoques. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) chegou a pedir do estado tratamento fiscal diferenciado no período, como dilatação do prazo para pagamento de impostos.

Em outra frente, a Associação Amazonense de Municípios (AAM) acionou o governo Lula para pedir recursos extras, por meio do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, para lidar com a estiagem do segundo semestre. 

Em maio, o governo federal divulgou a antecipação de ações para reduzir os efeitos da estiagem na Amazônia em 2026. As medidas incluem planejamento de dragagens, manutenção hidroviária, reforço da sinalização náutica e avaliação permanente das condições de navegabilidade para evitar prejuízos ao transporte de passageiros.

O governo estadual também está em fase final de elaboração do seu Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que irá sistematizar ações estratégicas já existentes e definir novas diretrizes, metas e mecanismos de monitoramento para o médio e longo prazo. A previsão de conclusão é setembro de 2026.

Histórico

Durante o El Niño de 2023/2024, o Amazonas enfrentou suas duas piores secas históricas. Além do baixo nível dos rios, o estado foi impactado por ondas de calor, o aumento recorde de queimadas e nuvens de fumaça que encobriram cidades por meses.

Segundo boletim da gestão estadual, à época, mais de 800 mil pessoas foram impactadas diretamente pela estiagem. Comunidades chegaram a ficar isoladas e houve dificuldade para obtenção de itens de necessidade básica, como água e alimentos. Também houve racionamento de água, como em Rio Preto da Eva, e de energia, como em São Gabriel da Cachoeira.

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