Presidente afirma que ampliará a participação popular e a comunicação digital no novo mandato; relação com o Congresso será baseada no diálogo e no respeito à Constituição.
Reeleito presidente da República neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em São Paulo, que pretende mudar a forma de governar, ampliar a participação popular e fortalecer a comunicação digital do governo. No discurso após a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), o petista também atribuiu às plataformas digitais uma atuação que classificou como “intromissão” externa na eleição.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, e conquistou seu quarto mandato presidencial pelo voto popular.
Críticas às plataformas digitais
Ao comentar a campanha, Lula defendeu a regulamentação das plataformas e afirmou que crimes cometidos no ambiente digital devem receber tratamento equivalente ao de infrações praticadas fora da internet.
“Essa eleição foi uma eleição que a gente teve que vencer a intromissão, vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las”, declarou.
O presidente classificou o resultado como uma derrota do “negacionismo” e da “mentira”. Também fez críticas a Flávio Bolsonaro, a quem associou ao “milicianismo”, e acusou o adversário de mentir durante a disputa.
Participação popular e comunicação
Lula afirmou que a campanha trouxe aprendizados que pretende incorporar à administração federal. Entre as mudanças anunciadas estão a ampliação da participação da população nas decisões e o fortalecimento da comunicação pela internet.
“Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões, a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, disse.
O petista também manifestou a intenção de desenvolver uma inteligência artificial brasileira. Nos agradecimentos à equipe de campanha, citou o deputado André Janones, responsável pela mobilização digital no canal de WhatsApp “Exército do Lula”.
Relação com o Congresso
Sobre a composição do Congresso Nacional eleito neste ano, Lula afirmou que trabalhará com os parlamentares escolhidos pela população, apesar da presença de uma oposição numerosa.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou.
O presidente também declarou que o exercício do novo mandato terá como referência o respeito à Constituição.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição”, disse.
Lula anunciou ainda que pretende se reunir com representantes de diferentes setores, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres, para discutir o governo.
Educação no discurso da Paulista
Após o primeiro pronunciamento, Lula seguiu para a avenida Paulista, onde apoiadores comemoravam o resultado. Ao lado do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, discursou em um trio elétrico em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Na manifestação, prometeu universalizar o Pé-de-Meia no ensino médio, criar o Pé-de-Meia Universitário e ampliar o ensino em tempo integral.
O presidente também agradeceu a atuação de integrantes da campanha, entre eles Camilo Santana e Rafael Fonteles, e pediu que fosse executado o Hino da Independência.
Agradecimentos a jovens, mulheres e trabalhadores
No pronunciamento aos apoiadores, Lula agradeceu a Deus e dedicou a vitória a jovens, mulheres e trabalhadores. Também mencionou educadores e pessoas que defendem o fim da escala de trabalho 6 por 1.
“Eu devo essa vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia. Eu devo essa vitória às mulheres que se rebelaram contra o feminicídio”, declarou.
Às vésperas de completar 81 anos, na terça-feira (27), Lula afirmou que pretende fazer do próximo mandato o melhor de sua trajetória na Presidência.



