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Nota à Sociedade Amazonense – Bancada Federal


Com a responsabilidade que o mandato popular nos impõe, os signatários, deputados e
senadores do Amazonas com assento no Congresso têm o dever de alertar e manifestar seu
posicionamento à sociedade amazonense e brasileira, sobre os efeitos e consequências do
Decreto 10.979 de 25 de fevereiro de 2022, na produção no Polo Industrial de Manaus ao impor
um corte linear de 25% das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),

  1. Como brasileiros somos defensores da Indústria Nacional e da geração de emprego. Neste
    sentido, quaisquer medidas que tragam o fortalecimento a qualquer atividade econômica
    terão sempre o nosso apoio;
  2. Como brasileiros e parlamentares apoiamos e lutamos pelo controle da inflação e pela
    expansão econômica;
  3. Como brasileiros alertamos que quaisquer medidas que venham a ser adotadas devem
    considerar a totalidade da realidade nacional, ainda marcada por profundas
    desigualdades regionais, o que impõe ao Governo Central o dever de trabalhar para a
    geração de emprego e renda nas regiões mais pobres do país;
  4. Como brasileiros e amazonenses temos o dever de destacar que a forma de
    implementação deste Decreto embute um impacto danoso, de enorme profundidade à
    competitividade do Polo Industrial de Manaus, ferindo de morte os mais de 400 mil
    postos de trabalho aqui gerados, direta e indiretamente. Uma catástrofe para a
    economia do Estado.
  5. O IPI é a âncora da competividade do modelo ZFM. Não excepcionalizar a produção do
    Polo Industrial de Manaus das regras do Decreto 10.979/22 é decretar o fim do mais
    exitoso programa de desenvolvimento regional do país.
  6. Este Programa de Desenvolvimento Regional tem, para além de seus resultados
    econômicos e sociais, um papel decisivo na preservação da maior floresta tropical do
    planeta. A extinção do emprego formal é uma ameaça concreta à preservação dessa
    floresta;
  7. Este Programa de Desenvolvimento Regional gera superávits de receita pública com o
    Governo Central, pois, historicamente mais de 70% dos recursos aqui gerados, são
    enviados à Brasília, contribuindo para o desenvolvimento nacional, em outras regiões do
    país.
  8. A adoção de tais medidas ignorou as manifestações e alertas que foram levados à equipe
    econômica pelos representantes da sociedade amazonense, o que gera uma profunda
    quebra de confiança no compromisso firmado pelo Ministro Paulo Guedes e demais
    autoridades econômicas que reiteraram que o modelo seria preservado. Este, inclusive,
    foi o entendimento do pronunciamento da Secretária Daniella Marques Consentino na
    reunião do Conselho de Administração da Suframa, no dia que antecedeu a publicação
    do decreto, gerando desconfiança e insegurança jurídica, a minar de forma fulminante o
    ambiente de negócios;
  9. Mais importante é que a adoção de tais medidas refletem manifesta contradição do
    Presidente da República, Jair Bolsonaro, responsável final por seu governo, que por um
    lado verbaliza ser a favor de nosso modelo de desenvolvimento, mas emite decretos que
    o fragilizam e causam desemprego e perda de atividade econômica.
  10. Não pode haver dúvidas. Reiteramos que este decreto compromete o futuro do Polo
    Industrial de Manaus. Assim, como representantes dos amazonenses no Congresso
    Nacional lutaremos de forma incessante para preservar o emprego dos amazonenses e,
    não descansaremos enquanto não for construída uma solução que preserve o
    desenvolvimento econômico e social do Estado e, por consequência, a própria Floresta
    Tropical, garantia de um meio ambiente equilibrado num momento de profundas
    mudanças climáticas.
  11. Entendemos que há espaço para soluções técnicas possíveis, capazes de preservar e
    incrementar o desenvolvimento do Polo Industrial de Manaus, sem se contrapor aos
    interesses da indústria nacional, do consumidor brasileiro e do combate à inflação.
  12. Nosso compromisso é apresentar as soluções ao Ministro Paulo Guedes e equipe, para
    que, pelo diálogo com as autoridades econômicas, possamos reverter este quadro
    catastrófico gerado por tal decreto.
    Manaus, 26 de fevereiro de 2022

SENADORES
Eduardo Braga
Omar Aziz
Plinio Valério

DEPUTADOS FEDERAIS

Atila Lins
Bosco Saraiva
Capitão Alberto Neto
Delegado Pablo
José Ricardo
Marcelo Ramos
Sidney Leite
Silas Câmara

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