Depois de aviso do VAR, árbitro deu o cartão vermelho a Miguel Almirón por tapar a boca em discussão com jogador adversário
A “Lei Vini Jr”, que entrou em vigor na Copa do Mundo de 2026, foi aplicada na madrugada deste sábado (20.jun.2026) pela 1ª vez na expulsão do jogador paraguaio Miguel Almirón.
Durante a vitória por 1 a 0 de seu país contra a Turquia, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos, o meia tampou a boca ao discutir com o jogador adversário Mert Müldür e foi expulso.
A expulsão foi nos acréscimos do 1º tempo. O árbitro salvadorenho Iván Barton foi chamado pelo VAR (árbitro assistente de vídeo) depois que Almirón tampou a boca ao falar algo para Müldür. Depois da conferência no VAR, o árbitro deu um cartão vermelho para Almirón.
A Lei Vini Jr. foi aprovada em abril pela Ifab (International Football Association Board) e passou a valer para o Mundial. A nova regra determina a expulsão direta para jogadores que cobrirem a boca com a mão durante discussões em campo, com o objetivo de evitar que usem o gesto para ocultar insultos e xingamentos racistas, facilitando a leitura labial pelas câmeras e a revisão do VAR.
O apelido surgiu depois do jogador brasileiro Vinícius Jr denunciar ofensas difíceis de comprovar devido ao gesto dos adversários em uma partida contra o Benfica na Champions League.
“LEI VINI JR”
Além da regra sobre não cobrir a boca durante discussões, a “Lei Vini Jr” se tornou um nome guarda-chuva para uma série de iniciativas legislativas criadas para combater o racismo e a injúria racial em arenas e estádios esportivos. O atacante brasileiro Vinícius Jr, do Real Madrid, se tornou um símbolo global dessa luta depois de sofrer repetidos ataques preconceituosos na Europa.
No Brasil, a principal regra determina a paralisação imediata de uma partida no momento em que for constatada ou denunciada uma conduta racista. Caso o comportamento preconceituoso persista ou seja praticado por um grupo grande de pessoas, o jogo pode ser encerrado definitivamente. Além disso, as arenas ficam obrigadas a fazer campanhas educativas, exibindo mensagens antirracistas em telões, sistemas de som e cartazes informativos antes e durante as competições.
Enquanto um texto federal tramita, Estados como o Rio de Janeiro e a Bahia, além do Distrito Federal, já aprovaram e sancionaram suas próprias versões da Lei Vini Jr., aplicando as regras localmente.
Fora do Brasil, o cenário enfrenta resistências políticas na Europa. O Parlamento de Portugal rejeitou, em junho deste ano, um projeto de lei semelhante que endurecia as penas contra o racismo no esporte.



