O governo dos Estados Unidos prepara uma resposta ao Brasil depois que o Itamaraty negou vistos a Riley Bernes e Samuel Samson, funcionários da gestão Donald Trump ligados ao Departamento de Estado dos EUA.
Representantes dos EUA no Brasil afirmaram que uma medida está em estudo, mas não detalharam qual será o formato da reação. A movimentação ocorre em meio à disputa diplomática sobre a tentativa de autoridades estadunidenses de tratar do sistema eleitoral brasileiro.
A informação chegou ao grupo de Eduardo Bolsonaro e a aliados que vivem nos Estados Unidos, que acompanham os desdobramentos do caso. Entre as hipóteses avaliadas por interlocutores estadunidenses estão possíveis sanções individuais contra autoridades brasileiras.
O Itamaraty justificou a negativa de vistos com o argumento de que Bernes e Samson tinham o objetivo de questionar o sistema eleitoral do Brasil. Os dois atuam no Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
Itamaraty viu risco de uso político da visita
O jornal “Washington Post” revelou que a viagem dos funcionários estadunidenses buscava levantar dúvidas sobre a segurança do sistema nacional de votação. A avaliação interna do Ministério das Relações Exteriores levou em conta o teor da missão e o momento político em que o pedido chegou ao governo brasileiro.
O pedido de visto dos funcionários ligados a Rubio ocorreu quando Flávio Bolsonaro, tratado como candidato à Presidência, questionava as urnas eletrônicas em um evento com diplomatas. O Itamaraty concluiu que havia risco de instrumentalização da visita em um cenário eleitoral.
A possibilidade de sanções individuais aparece como uma das medidas no radar, mas autoridades estadunidenses não anunciaram alvos, prazos ou instrumentos formais. A resposta ainda depende de definição dentro do governo dos EUA.
No lado brasileiro, a decisão ficou concentrada no entendimento de que a visita poderia alimentar questionamentos externos ao sistema de votação. O caso passou a envolver diretamente o Itamaraty, o Departamento de Estado e o entorno político de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

