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Emerson Saraiva, que deixou recentemente a campanha de Roberto Cidade, afirma que curtidas são impulsionadas por estruturas políticas e que eventos dependem de mobilização para levar público

Cerca de um mês depois de deixar a equipe de marketing de Roberto Cidade, Emerson Saraiva fez uma avaliação incômoda sobre os bastidores das campanhas eleitorais. Em participação no Jornal de Verdade deste sábado (29), o publicitário afirmou que boa parte da força exibida nas redes sociais e em eventos pode não passar de uma “ilusão” produzida pelas próprias estruturas políticas.

Sem citar Roberto Cidade ou qualquer outro candidato especificamente, Emerson falou a partir da experiência de quem atua em campanhas em 12 estados e mantém contato com profissionais envolvidos em disputas eleitorais pelo país. “A gente está fazendo campanha em 12 estados do Brasil. E onde a gente chega, com quem a gente conversa, o sentimento é esse”, afirmou.

Na avaliação do marketeiro, até mesmo a presença de público em atos políticos depende, muitas vezes, de uma operação organizada para colocar pessoas nos eventos. “Você vai fazer um evento, você tem que levar as pessoas pro evento”, disse.

Nas redes sociais, segundo Emerson, o fenômeno seria semelhante. Publicações que aparentam grande mobilização dependeriam da convocação de grupos organizados para produzir curtidas, comentários e compartilhamentos.

“Grande parte dos políticos está fazendo postagem na rede social. A postagem só funciona se você fizer a postagem e mandar lá num monte de grupo dizendo: ‘Gente, entra todo mundo lá para curtir, comentar e compartilhar’”, afirmou.

A declaração ganha um ingrediente político adicional no Amazonas pelo currículo recente do próprio Emerson. Ele comandou o marketing de Roberto Cidade e deixou a campanha há cerca de um mês. Por isso, embora tenha frisado que sua análise se refere ao cenário eleitoral brasileiro de maneira geral, suas observações inevitavelmente chamam atenção também para as estratégias utilizadas nas campanhas locais.

Emerson chegou a propor um exercício para medir quanto do aparente sucesso digital de políticos no poder é realmente espontâneo. “Pega a postagem do governador. Vê lá quantas curtidas tem. Vê quantas curtidas são realmente orgânicas, espontâneas. E quantas vêm de comissionado, gente que é ligada à liderança, ou seja, aquilo que acontece pela mobilização”, disse.

Para o publicitário, quando esse filtro é aplicado, sobra pouco engajamento genuíno. “É muito pouco. E isso em todos os casos”, afirmou.

Em seguida, foi além: “Hoje, acho que 80%, 90% do esforço que a gente faz numa campanha é muito mais para agradar ao candidato, agradar à equipe, agradar à estrutura do que propriamente na perspectiva…”, disse.

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