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Por Igor Menezes Cordovil

Uma cena simples, dentro de um condomínio de classe média, foi suficiente para escancarar um problema social ainda muito presente: a separação velada entre pessoas, baseada em status, função e aparência.

No corredor do prédio onde moro, uma senhora se aproximou do elevador ao mesmo tempo que eu. Apertei o botão e aguardei. Quando a porta abriu, segurei para que ela entrasse. Ela, no entanto, permaneceu parada, como se não tivesse certeza se podia avançar. Diante da hesitação, perguntei: “vamos?”. Ela respondeu com uma frase que me atingiu em cheio: “Eu posso ir junto?”

O condomínio tem dois elevadores, como ocorre em muitos prédios antigos: um social e outro de serviço. A justificativa, em tese, é organizacional: o elevador de serviço seria destinado a mudanças, entregas, transporte de compras, animais e prestadores de serviço. Na prática, a regra costuma ser aplicada de forma seletiva e quase sempre em prejuízo de quem trabalha.

A contradição é evidente. Muitos moradores utilizam o elevador social para transportar itens que, oficialmente, seriam restritos ao elevador de serviço. No entanto, quando o assunto é uma pessoa — especialmente alguém em posição social considerada inferior — a norma aparece com força, como instrumento de separação.

Nesse ponto, a pergunta deixa de ser “por quê?” e passa a ser “para quê?”. Para quê humilhar alguém? Para quê reforçar, mesmo em silêncio, a ideia de que certas pessoas não pertencem a determinados espaços?

O elevador social, nesse contexto, deixa de ser apenas um equipamento e se transforma em símbolo. Um símbolo do desejo de distinção forçada entre pessoas que, no fundo, compartilham a mesma humanidade e, muitas vezes, a mesma realidade de trabalho. Afinal, quem nunca foi empregado de alguém, prestador de serviço ou dependente de um contrato para sobreviver?

O verdadeiro distanciamento social não está no número do andar, no valor do condomínio ou no bairro onde se mora. Está na tentativa de separar, na marra, quem é tão ser humano quanto qualquer outro.

Status não paga despesa. E a ostentação, quando não vem acompanhada de trabalho honesto e respeito ao próximo, não esconde caráter apenas o revela.

Como dizia Joanna de Ângelis, em frase difundida por Divaldo Pereira Franco: “A vida é grande cobradora e exímia retribuidora; o que faças aos outros sempre retornará a ti.”

Por isso, quando alguém perguntar “eu posso ir junto?”, a resposta mais humana e a única aceitável deve ser sempre a mesma: por que não?

Igor Menezes Cordovil é Gestor de Marketing & Inteligência de Mercado do Grupo FAMETRO, Especialista em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e MBA em Marketing, Consumo e Neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS).

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