Vídeos registram coronel imobilizando e agredindo a ex-companheira em posto de combustíveis; caso é investigado nas esferas militar e civil
O coronel Marcos Vinícius Poinho Encarnação, que soma 30 anos na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), foi afastado do cargo após ser denunciado pela ex-esposa, Iolanda Martins, por agressões físicas. O caso, revelado após a divulgação de vídeos que registram parte das agressões, está sendo investigado tanto pela Polícia Civil quanto pela própria corporação militar.
As imagens, gravadas em 4 de junho deste ano, mostram o coronel imobilizando e desferindo golpes contra Iolanda em um posto de combustíveis em Manaus, quando o casal ainda mantinha relacionamento. O oficial ocupava o cargo de Diretor de Pessoal Inativo da PMAM, responsável pelos processos administrativos de militares da reserva, e segue recebendo salário, já que a suspensão depende de decisão judicial definitiva.
Denúncias desde 2012
O caso ganhou repercussão em junho, quando Iolanda publicou nas redes sociais relatos de agressões que, segundo ela, ocorrem desde 2012. Em seu depoimento, afirmou que escondia a situação por vergonha e para preservar a família.
Nesta segunda-feira (17), novos vídeos mostraram o coronel desferindo socos no rosto da vítima após uma discussão enquanto ambos consumiam bebidas alcoólicas no posto. De acordo com a defesa de Iolanda, ela chegou a desmaiar e foi levada para um quarto da loja de conveniência, permanecendo desacordada por horas.
Ao despertar, por volta das 10h, houve novo desentendimento entre o casal, momento em que a Polícia Militar já estava no local.
Acusações de violência policial
A vítima relata ainda ter sido agredida por outros policiais militares que chegaram ao estabelecimento.
“No vídeo, a polícia chega, acredito que a mando dele, me agredindo e me asfixiando com o joelho. Só me soltam quando ele manda”, declarou.
Apesar das lesões, Iolanda não foi encaminhada ao hospital, mas retornou para casa e registrou um Boletim de Ocorrência contra o coronel. Segundo seu advogado, há registros fotográficos de agressões anteriores, datados de 2022 e 2023, entregues às autoridades.
Investigações em curso
A PMAM informou, em nota, que o coronel responde a um Inquérito Policial Militar (IPM) desde junho, quando o caso veio à tona. A corporação afirmou que recolheu a arma funcional do oficial, determinou seu afastamento das funções administrativas e “repudia qualquer ato de violência contra a mulher”.
A Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) Centro-Sul, também instaurou inquérito. A instituição afirmou que outras informações não serão divulgadas para não comprometer as investigações.
Até a última atualização, a defesa do coronel não havia sido localizada.
Veja Vídeo:



