Rover Curiosity explora região de ‘boxwork’ há seis meses; formações sugerem que água subterrânea permaneceu no planeta por mais tempo do que o previsto.
O rover Curiosity, da Nasa, identificou formações geológicas raras em Marte que, vistas do espaço, assemelham-se a “teias de aranha gigantes”. Conhecidas como boxwork, essas estruturas em forma de caixa estão sendo exploradas pelo robô há cerca de seis meses e podem mudar o que se sabe sobre a história da água no Planeta Vermelho.
As formações consistem em cristas baixas, com altura entre 1 e 2 metros, intercaladas por depressões arenosas. De acordo com os cientistas, a vasta extensão dessas redes sugere que a água subterrânea fluiu na região muito depois do que as estimativas anteriores indicavam.
O mistério da água e a vida microbiana
A descoberta levanta novas questões sobre a habitabilidade de Marte. Se a água permaneceu fluindo por mais tempo, a vida microbiana poderia ter sobrevivido por um período maior antes de o planeta se tornar o deserto congelado que é hoje.
A principal hipótese dos cientistas para a criação dessas “teias” envolve três etapas:
- Infiltração: A água subterrânea fluiu através de grandes fraturas na rocha original.
- Mineralização: O líquido deixou para trás minerais que fortaleceram as áreas ao redor das rachaduras.
- Erosão: Com o passar do tempo, o vento escavou as porções de rocha não reforçadas, deixando apenas as cristas minerais endurecidas em pé.
“A observação de estruturas em forma de caixa tão acima na montanha sugere que o lençol freático devia estar bem alto”, explica Tina Seeger, uma das cientistas da missão que lidera a investigação.
Desafios técnicos no Monte Sharp
O Curiosity, um veículo do tamanho de um SUV e pesando quase uma tonelada, enfrenta desafios logísticos para estudar as estruturas. Para coletar dados, a equipe da Nasa precisa manobrar o robô sobre o topo de cristas que possuem uma largura similar à do próprio veículo.
As formações foram localizadas no Monte Sharp, uma montanha de 5 quilômetros de altura que o rover escala desde 2014. Cada camada da montanha funciona como um “arquivo” geológico, representando uma era diferente do clima marciano.
Evidências confirmadas
A investigação de perto confirmou suspeitas levantadas por imagens de satélite em 2014. O Curiosity identificou:
- Fraturas centrais: Linhas escuras que cruzam as teias, confirmando onde a água se infiltrou.
- Nódulos: Texturas irregulares na rocha que são sinais claros de presença de água subterrânea no passado.
Embora estruturas de boxwork existam na Terra, elas raramente passam de alguns centímetros e costumam ser encontradas em cavernas. Em Marte, a escala monumental dessas formações continua a desafiar os pesquisadores, que agora tentam entender por que os nódulos aparecem em pontos específicos das cristas.



