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    Brasil

    Empréstimos pelo WhatsApp e aplicativos crescem; veja os cuidados

    GUILHERME MORAESBy GUILHERME MORAES18 de setembro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Receber uma oferta de empréstimo pelo WhatsApp, aplicativo de delivery, plataforma de compras ou até pela operadora de celular se tornou cada vez mais comum. Nos últimos anos, empresas de varejo, telefonia, seguros e tecnologia também passaram a oferecer produtos financeiros.

    Com isso, as chamadas fintechs ampliaram sua presença no cotidiano dos brasileiros. Atualmente, companhias como Mercado Pago, Magalu Pay, Ame, C&A Pay, iFood Pago e carteiras digitais de operadoras disputam espaço em um mercado antes dominado pelos bancos tradicionais.

    A facilidade para acessar o crédito e a rapidez na contratação atraem consumidores. Porém, esses fatores também aumentam o alerta para o risco de endividamento.

    Segundo Luis Felipe Cavalcante, mestre em Economia e professor da Estácio, a expansão desse mercado reúne fatores tecnológicos, regulatórios e estratégicos.

    “O avanço do Open Finance, a consolidação do Pix, a oferta de infraestrutura bancária como serviço e o acesso a uma ampla base de clientes criaram um ambiente muito favorável para que empresas de diferentes segmentos passassem a oferecer crédito. Trata-se de uma forma de aumentar a rentabilidade dos negócios e agregar novos serviços ao relacionamento com o consumidor”, explica.

    Dados ajudam na análise

    Uma das principais diferenças entre essas empresas e os bancos tradicionais está na quantidade de informações sobre o comportamento dos clientes. Dados como frequência de compras, valor gasto mensalmente e padrão de consumo ajudam as empresas a analisar o risco.

    “Essas empresas conhecem o comportamento de seus usuários de forma muito próxima. O histórico de compras e a frequência de utilização dos serviços funcionam como uma espécie de score alternativo, baseado em comportamentos reais e não apenas na renda declarada ou em históricos tradicionais de crédito”, afirma o especialista.

    Apesar da percepção de que a própria empresa concede o empréstimo, instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central costumam participar dessas operações.

    “Normalmente, quem assume o risco da operação é uma instituição financeira parceira. A empresa que oferece o crédito atua como distribuidora da solução financeira, aproveitando o relacionamento já existente com o cliente”, esclarece Cavalcante.

    Compare antes de contratar

    A facilidade de contratação pode levar consumidores a acreditar que essas condições sempre superam as oferecidas pelos bancos. No entanto, segundo o economista, cada operação apresenta características diferentes.

    “Como essas empresas já possuem uma base consolidada de clientes e informações detalhadas sobre seus hábitos de consumo, o custo de aquisição e análise de risco tende a ser menor. Isso pode resultar em taxas competitivas. Porém, quando há pouca informação disponível sobre o cliente, os juros podem ser elevados para compensar o risco da operação”, observa.

    Por isso, o consumidor deve comparar o Custo Efetivo Total (CET) entre diferentes instituições antes de contratar qualquer modalidade de crédito.

    Crédito fácil e endividamento

    De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, com comprometimento médio de 29,5% da renda mensal.

    Para Luis Felipe Cavalcante, a facilidade para acessar o crédito tem relação com esse cenário.

    “A facilidade de acesso ao crédito contribui para o aumento do endividamento, principalmente quando o consumidor analisa apenas o valor da parcela e não o custo total da dívida. Muitas vezes, a contratação acontece sem um planejamento financeiro adequado”, destaca.

    Entretanto, o professor ressalta que o endividamento não surgiu com as fintechs.

    “O Brasil convive há décadas com juros elevados e grande parte da população já enfrentava dificuldades financeiras antes dessa expansão do crédito digital. O que mudou foi a velocidade e a facilidade para contratar novos empréstimos”, acrescenta.

    Quanto comprometer da renda?

    Na avaliação do professor da Estácio, o ideal é manter os compromissos financeiros entre 25% e 30% da renda mensal.

    “Esse percentual costuma ser considerado saudável para manter o equilíbrio das finanças pessoais. Mas é importante diferenciar os tipos de dívida. O financiamento de um imóvel, por exemplo, possui características muito diferentes de uma dívida acumulada por consumo impulsivo no cartão de crédito”, explica.

    Para quem já ultrapassou esse limite, o especialista recomenda renegociar as dívidas mais caras e revisar o orçamento doméstico.

    “As prioridades devem ser a renegociação de débitos com juros elevados, a busca por programas de negociação e a redução de despesas não essenciais”, orienta.

    Atenção ao crédito digital

    Mesmo com a redução recente da taxa Selic, o Brasil continua entre os países com os maiores juros reais do mundo. Dessa forma, o mercado de crédito permanece atrativo para empresas que buscam diversificar suas receitas.

    Segundo Cavalcante, as ofertas digitais devem continuar crescendo nos próximos anos. Por isso, o consumidor precisa avaliar com atenção cada contratação.

    “O crédito pode ser uma ferramenta importante para organizar a vida financeira ou viabilizar projetos pessoais. No entanto, a contratação deve ser feita de forma consciente, com análise das condições, dos juros e da capacidade real de pagamento. Facilidade de acesso não pode ser confundida com ausência de risco”, conclui.

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