Crime ocorreu dentro de coletivo da linha 652, no bairro Aleixo, em fevereiro de 2025. Vítima foi atingida no abdômen e socorrida em estado grave.
A Justiça do Amazonas condenou Andrey da Silva Cantuario a 29 anos, 1 mês e 21 dias de prisão por esfaquear uma passageira durante um assalto a ônibus ocorrido na Zona Centro-Sul de Manaus. A sentença foi proferida na terça-feira (27) pelo juiz Charles José Fernandes da Cruz, quase um ano após o crime.
O assalto aconteceu em fevereiro de 2025, dentro de um ônibus da linha 652, no bairro Aleixo. De acordo com as investigações, Andrey e outros três envolvidos — entre eles um adolescente — anunciaram o roubo durante o trajeto entre as avenidas Darcy Vargas e Ephigênio Sales. Durante a ação, o acusado atacou a vítima com um golpe de faca na região da barriga. Toda a ocorrência foi registrada por câmeras de segurança do coletivo.
A mulher ferida foi socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde da capital em estado grave. Laudos médicos anexados ao processo confirmam perfuração no tórax e ferimentos nos braços, compatíveis com ataque por arma branca.
As audiências de instrução e julgamento ocorreram nos dias 3 de dezembro de 2025 e 8 de janeiro de 2026, de forma híbrida. As vítimas prestaram depoimento e Andrey, assistido pela Defensoria Pública, foi interrogado. Durante o interrogatório, ele confessou ter desferido os golpes de faca contra a passageira.
Na sentença, Andrey foi condenado por quatro crimes de roubo com agravantes, tentativa de latrocínio — quando há intenção de matar durante o roubo — e corrupção de menores. Segundo o magistrado, ele foi identificado como o integrante mais agressivo do grupo e deverá cumprir a pena em regime inicial fechado. O réu já se encontra preso.
O processo reúne diversas provas do inquérito policial, como boletim de ocorrência, reconhecimentos fotográficos feitos por vítimas diferentes e imagens que mostram a dinâmica do crime dentro do ônibus. Segundo o juiz, “os reconhecimentos ganham especial relevo quando analisados em conjunto com os depoimentos judiciais e com os demais elementos probatórios constantes dos autos”.
Relatórios da investigação também detalham o modo de atuação do grupo, que agiu com extrema violência, agredindo passageiros com chutes e socos enquanto recolhia celulares e outros pertences. Além da faca utilizada no ataque à vítima, o grupo também portava arma de fogo.
Em entrevista coletiva concedida no dia 14 de fevereiro, o delegado Charles Araújo afirmou que os envolvidos são considerados de alta periculosidade e estariam ligados a outros roubos a transportes coletivos na capital.
“O crime foi registrado pelas câmeras de segurança. Eles portavam armas de fogo e armas brancas e, com bastante violência, roubaram aparelhos celulares e outros pertences das vítimas”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a polícia, as vítimas relataram que os suspeitos ordenaram que o motorista apagasse as luzes do ônibus para facilitar a ação criminosa e intimidar os passageiros.

